Destreza manual é um dos atributos principais do ser humano, algo que nos permitiu desenvolver ferramentas, cultivar alimentos e criar armas para defesa. Por isso, quando temos a precisão e o movimento das mãos limitados, sentimos o impacto na hora. Um novo tipo de mão robótica promete amenizar esse incômodo para mergulhadores que trabalham a grandes profundidades.

Profissionais que realizam trabalhos submersos sofrem com a pressão intensa exercida pela água, que torna essencial o uso de vestimentas específicas para garantir a segurança do mergulhador, conhecida popularmente como escafandro. O problema é que a luva padrão nesse tipo de proteção é uma espécie de pinça rústica que torna muito difícil – ou até impossível – qualquer trabalho manual que vá além do abrir e fechar da “garra”.

Esse empecilho serviu de base para que a equipe da Vishwa Robotics desenvolvesse um tipo de membro robótico que pode ser usado em ambientes de grande pressão ao mesmo tempo que dá muito mais liberdade e opções de movimento para o usuário. O chamado Vishwa Extensor é um projeto encomendado pela marinha dos Estados Unidos.

Ao fundo do mar e além

O Vishwa Extensor funciona literalmente como uma extensão da mão humana. Operado por um controle dentro da luva, o sistema usado no produto possui force feedback, que permite ao mergulhador sentir e alterar a força da pegada nos objetos. Em questão de visual, o item se parece com algo saído diretamente das HQs, apresentando dois dedos e um polegar opositor.

Segundo Bhargav Gajjar, CEO da empresa, os dois dedos faltantes não teriam muito utilidade e acabariam atrapalhando o funcionamento do aparelho, que precisa manter um fino equilíbrio entre resistência e praticidade. Com o uso do Vishwa Extensor, atos como manipular ferramentas podem se tornar algo trivial novamente, mesmo que debaixo d’água.

Gajjar diz ainda que a tecnologia pode ser igualmente útil em outras situações, principalmente quando combinada a dispositivos controlados à distância. Mesmo nos oceanos, robôs usando o extensor poderiam mergulhar mais fundo e permanecer mais tempo submerso do que qualquer humano.

Fica fácil imaginar que consertos de satélites no espaço e pesquisas em áreas com alta concentração de radioatividade, por exemplo, também poderiam ser operações bem mais seguras e eficientes, já que a pessoa atrás dos controles não precisaria se arriscar nesses locais. Resta torcer para que essa invenção possa ampliar os limites da exploração humana na Terra e fora dela.