(Fonte da imagem: Reprodução/UOL)

Nesta segunda-feira (21), a Google afirmou que está trabalhando em parceira com o Instituto Igarapé para lançar uma nova ferramenta de proteção pública, chamada apenas de Smart Policing. O recurso nada mais é do que um aplicativo feito para smartphones Android e que cada policial do Rio de Janeiro pode utilizar com facilidade.

O celular inteligente deve ficar dentro de um bolso no peito do oficial, sendo que a câmera do aparelho grava praticamente tudo o que o policial falar, ouvir ou enxergar enquanto está exercendo o seu dever — e é claro que todo esse trabalho é feito por conta do software desenvolvimento pelas duas instituições.

Já está em ação

Por enquanto, o Smart Policing está sendo usado apenas como protótipo, sendo que os testes já começaram há algum tempo. Desde o ano passado, alguns policiais cariocas que estão trabalhando em favelas potencialmente perigosas através das Unidades Policiais Pacificadoras (UPPs) estão carregando aparelhos que contam com o programa instalado.

O lançamento oficial da novidade deve ser feito amanhã (22), pela Google Ideas, de maneira que a ferramenta pode ser adotada integralmente pelas autoridades do Rio de Janeiro em um futuro bastante próximo — no entanto, ainda não há certeza de que o aplicativo vai ser adotado como ferramenta oficial de trabalho.

Mas é para fazer o quê?

(Fonte da imagem: Reprodução/TheVerge)

De acordo com o que disse o pesquisador-chefe do Instituto Igarapé, Robert Muggah, o novo recurso tem uma função tripla: impedir que policiais abusem do poder ou sejam corruptos, melhorar a relação das autoridades com a comunidade e também melhorar a proteção dada aos oficiais — tudo depende de como o programa for usado.

Como as imagens gravadas são mandadas para uma central de dados e depois para a nuvem, em casos de emergência, os registros podem ser mandados de forma direta e ao vivo para a base policial, resultando em um melhor controle de situação. No entanto, este é apenas um exemplo de como o Smart Policing pode ser útil.

Sim, problemas existem...

Apesar de a ferramenta ter sido desenvolvida para as UPPs pelo simples fato de que o Brasil conta com uma das corporações policiais que mais matam civis em todo mundo, essa espécie de vigilância acaba trazendo algumas polêmicas, principalmente depois de casos de espionagem como aqueles envolvendo os Estados Unidos.

O problema central é o fato de que essas câmeras podem registrar a vida de diversas pessoas que não estão envolvidas com o crime ou com atos policiais, resultando em um gigantesco desrespeito à privacidade alheia. Para que isso não aconteça, especialistas afirmam que as autoridades do Rio de Janeiro precisam contar com um plano de uso das gravações limpo e articulado, não dando brecha para má utilização.

Mas há esperança também

 Robert Muggah, do Instituto Igarapé. (Fonte da imagem:Reprodução/ESPM)

Mesmo com os problemas em torno desta questão, Muggah afirmou que o Smart Policing pode evitar que desaparecimentos como o de Amarildo tornem a acontecer. Além disso, ele também alegou que estudos mostram que a observação do trabalho de policiais realmente melhora as relações com as comunidades.

Por conta de tudo isso, o pesquisador acredita que a novidade tem tudo para ser bem positiva, principalmente durante os próximos grandes eventos que o Brasil vai receber, como é o caso das Olímpiadas em 2016. No entanto, só o tempo pode responder se o programa vai ser bem utilizado, não é mesmo?