Em uma postagem no blog oficial da Microsoft feita na última quinta-feira (06), Brad Smith, o líder do conselho da empresa, pediu que governos comecem a regulamentar o desenvolvimento, criação e formas de uso de tecnologias de reconhecimento facial.

Ele sugere que cada sistema de reconhecimento facial seja testado de forma independente para assegurar precisão e, ainda mais importante, garantir que eles sejam neutros e protejam os direitos individuais. “O gênio do reconhecimento facial — por assim dizer — está emergindo da lâmpada”, disse Smith.

Empresas como a Amazon já estão trabalhando com autoridades policiais dos EUA em softwares capazes de reconhecer pessoas em multidões

Nesse momento, essas tecnologias estão sendo utilizadas essencialmente para aplicações triviais, como desbloquear smartphones e autorizar pagamentos com esses dispositivos. Contudo, empresas como a Amazon já estão trabalhando com autoridades policiais dos EUA em softwares capazes de reconhecer pessoas em multidões. Apesar disso, os resultados até o momento parecem ser bem ruins.

Além disso, redes sociais, como o Facebook, já aplicam esse tipo de tecnologia para marcar pessoas em fotos em grande escala. A partir daí, é relativamente fácil imaginar possibilidades em que isso acabe muito mal, desrespeitando a privacidade dos indivíduos ou mesmo gerando prisões errôneas.

“Se não agirmos agora, correremos o risco de, em alguns anos, nos depararmos com serviços de reconhecimento facial totalmente disseminados e exacerbando problemas da sociedade. Quando isso acontecer, será muito mais difícil reverter a situação”, escreveu o conselheiro da Microsoft.

Temos que garantir que o ano de 2024 não se pareça com uma página do livro 1984

Ele acredita que, com mau uso, essa tecnologia pode causar dano emocional e físico a várias pessoas e comprometer direitos humanos fundamentais que temos hoje. Ele ainda alerta empresas que já utilizam tecnologias desse tipo em larga escala, dizendo que elas são responsáveis por possíveis problemas relacionados a isso.

“Quando combinada com câmeras onipresentes, poder de computação massivos e armazenamento em nuvem, um governo poderia usar uma tecnologia de reconhecimento facial para conseguir vigiar continuamente indivíduos específicos”, conto. Nesse caso, ele alerta: “temos que garantir que o ano de 2024 não se pareça com uma página do livro 1984”.