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Os carros elétricos vão dar certo no Brasil?

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Por Beto Marcelino - Colunista

Na metade do ano, a Tesla superou o valor de mercado de empresas tradicionais do setor automotivo, como GM, Toyota e Volkswagen. Na verdade, o valor de mercado da montadora de veículos elétricos (VE) de Elon Musk já ultrapassa a soma da GM, Ford e Fiat-Chrysler, somando US$ 185 bilhões (cerca de R$ 960 bilhões).

As ações da Tesla acumulam alta superior a 400% este ano na Bolsa de Nova York, embaladas pelo aumento da produção de carros, que superou as projeções de analistas no primeiro trimestre.

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Total de veículos elétricos em circulação no mundo poderia saltar de 9,4 milhões de unidades para 135 milhões em dez anos

Além disso, um levantamento da Agência Internacional de Energia aponta que o total de veículos elétricos em circulação no mundo poderia saltar de 9,4 milhões de unidades para 135 milhões em dez anos – cenário esperado também para o Brasil, apesar da tímida “fatia” atual de 0,03% da frota nacional de veículos comerciais leves.

O cenário inspira o mundo da mobilidade a se perguntar: estariam os carros elétricos finalmente acelerando sua presença no mercado? Tudo indica que sim. Mas será que isso também vai acontecer no nosso país?

Atualmente, temos oficialmente 12 modelos elétricos à venda no Brasil, incluindo o Porsche Taycan e o Audi e-tron Sportback. Ao todo, os dez automóveis da categoria venderam 239 unidades no primeiro semestre, de acordo com a Abeifa, associação que reúne importadoras e fabricantes. Isso evidencia parte do problema: o alto custo dos veículos ainda é um entrave para o aumento nas vendas.

Em levantamento feito no final de agosto, o Estadão constatou que o modelo elétrico mais barato do país, o subcompacto chinês JAC IEV20, custa a partir de R$ 139.900. Na sequência vem o compacto Renault Zoe a partir de R$ 147.990 (para comparação, o híbrido Corolla Altis custa R$ 137.890, considerado mais espaçoso e confortável).

Eletromobilidade no Brasil

Desde o primeiro Fórum Internacional de Smart Cities, realizado no Brasil pelo iCities, em 2012, trouxemos o tema dos carros elétricos apresentado por dois pioneiros na eletromobilidade no país – engenheiros que trabalhavam no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), em um centro de pesquisa em eletromobilidade. No início, o desenvolvimento era focado na eletrificação de carros a combustão adaptados, evoluindo para parcerias com empresas internacionais para viabilização da fabricação de novos modelos 100% elétricos em terras tupiniquins.

No iCities, sempre tivemos essa ligação com as montadoras ligadas a eletromobilidade, além do compromisso com a sustentabilidade. Isso se manteve em 2013, no segundo Fórum Internacional iCities, evento que sediou pela primeira vez uma apresentação da linha completa de veículos elétricos, da Renault, com teste drive realizado na edição de 2015.

A história dos VEs no país é amplamente liderado por montadoras instaladas no Paraná, além de também serem referência a nível global – a diretora dessa área na Renault, Silvia Barcik, é entusiasta das cidades inteligentes e defende a eletromobilidade através dos benefícios para natureza com zero emissão de CO2, como para segurança e economia que os veículos elétricos podem gerar para toda sociedade.

Volkswagen pretende produzir o Golf elétrico na fábrica de São José dos Pinhais

Novas iniciativas de gigantes do setor também começam a surgir no Brasil. A alemã BMW e a chinesa BYD investem pesado em modelos com linhas modernas e autonomia cada vez maior, assim como a Volkswagen, que pretende produzir o Golf elétrico na fábrica de São José dos Pinhais (PR).

Também no Paraná, foi inaugurada recentemente a maior eletrovia do Brasil, que percorre os 720 km entre Paranaguá e Foz do Iguaçu, com 12 eletropostos de recarga rápida, capazes de “encher” a bateria de um carro elétrico a 80% em um período de 15 e 30 minutos. O governo estadual também tem estimulado o setor com a isenção de IPVA para os elétricos desde 2019.

Fator sustentável

Outro atrativo forte dos carros elétricos envolve a sustentabilidade e o combate à poluição nas cidades. Os carros com motores à combustão são responsáveis por 24% da emissão de gases do efeito estufa gerados pela atividade humana.

Existe ainda a questão das baterias mais eficientes, baratas e menos poluentes, que já começaram a ser produzidas no Brasil – a Vale, inclusive, está em vias de fechar parceria com a Tesla, para fornecimento de níquel com preço baixo e mínimo impacto ambiental.

Segundo declaração recente do presidente da Nissan no Brasil, Marcos Silva, a pandemia vai fazer com que as pessoas pensem em questões como sustentabilidade, onde se pensa no carro elétrico.

Elétrico X combustão

  • Toda vez que se reduz a velocidade, pisando no freio, as baterias de um elétrico são recarregadas, enquanto no carro comum, essa energia é desperdiçada.
  • O impacto financeiro com recarga do carro elétrico pode ser até 80% menor do que com o abastecimento com gasolina comum.
  • Nos eletropostos, o tempo de recarga de um carro elétrico é, em média de 40 minutos. Em um posto de gasolina, você enche o tanque em 5 ou 10 min, considerando o tempo para efetuar o pagamento do combustível.
  • Em casa, com uma tomada 220V de 20 A, a recarga completa de um elétrico leva 6 horas. Em contrapartida, não dá para abastecer o carro comum sem sair da garagem.

Confira um vídeo de comparação que o iCities fez no final de 2019 entre o elétrico BMW i3 e um veículo a combustão. O trajeto foi percorrido no bairro Rebouças, em Curitiba. 

Todos esses fatores indicam que, a médio e longo prazo, os custos dos elétricos serão barateados na comparação com carros com motor a combustão, especialmente devido a melhoria na oferta de níquel e outras matérias-primas para baterias.

Isso certamente vai tornar os modelos elétricos acessíveis para mais consumidores no Brasil e no mundo. E como a grande maioria da eletricidade gerada por aqui é oriunda de fontes limpas ou renováveis, a nossa mobilidade urbana tem tudo para se tornar muito mais sustentável. Então sim, eu acredito que o carro elétrico tem tudo para dar certo no Brasil.

***

Beto Marcelino, colunista quinzenal do TecMundo, é engenheiro agrônomo, sócio fundador e diretor de relações governamentais do iCities, empresa que organiza o Smart City Expo Curitiba, maior evento do Brasil sobre cidades inteligentes com a chancela da FIRA Barcelona.

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