Você deve se lembrar de vídeos no YouTube ou outros conteúdos que tenham circulado por toda a internet — o vídeo mais abaixo feito pela banda Weezer reúne alguns dos principais lançados até 2008. Eles não são raridade: a cada mês surge um novo link incrível que será compartilhado por grande parte dos seus amigos ou no Facebook ou em outras redes sociais.

Desde os emocionantes até os engraçados, os conteúdos virais não precisam de muito tempo para serem disseminados ao redor da internet. E não podemos nos esquecer dos irmãos que ficaram famosos pelo vídeo que ilustra a imagem do topo deste artigo.

Mas o que faz com que esses conteúdos sejam tão compartilhados? Como acabamos de dizer, eles não seguem um mesmo padrão, o que torna essa resposta ainda mais difícil. Mas alguns especialistas têm diversas teorias que podem explicar o que faz um material viralizar. Vamos descobrir agora mesmo como funciona esse processo. Será que o segredo pode ser enfim desvendado?

Conteúdo publicado originalmente em 18 de junho de 2014

Apelo emocional

Nos Estados Unidos, alguns estudos tentam descobrir todas as respostas para a “viralização”. Na Universidade do Texas, Rosanna Guadagno (psicóloga social ligada à instituição) entrevistou 256 pessoas e chegou a algumas conclusões interessantes. Ela disse que a maioria dos entrevistados prefere compartilhar conteúdos que gerem risadas a outros que despertem aflições.

Ela também descobriu que, mesmo sem as risadas, vídeos que despertem emoções intensas podem ganhar muitos compartilhamentos, desde que “a tristeza não seja o ponto final da história”. Ou seja, é mais provável que a felicidade e a superação convençam os espectadores de que aqueles conteúdos devem ser levados para outros públicos. Um exemplo bem interessante está no vídeo logo abaixo:

Esse vídeo mostrando um bombeiro salvando um pequeno filhote de gato de um incêndio circulou o mundo ao lado de frases parecidas com “Restaurada a fé na humanidade”. A apreensão pelo resultado do salvamento fez com que muitos ficassem aflitos, mas o encerramento do vídeo com o gatinho respirando funcionou como um verdadeiro gatilho para os compartilhamentos.

Isso aconteceu em diversos sites, tendo muitos acessos e compartilhamentos por onde passou. Porém, o mesmo não pode ser dito da publicação do site Gawker. O motivo seria justamente o final da história: o pequeno filhote não resistiu e acabou falecendo na mesma noite. Como o site publicou a história com certo atraso, a informação da morte já havia sido divulgada e eles informaram isso na publicação.

Isso encontra o que Guadagno afirma: é preciso que o final das histórias traga alguma mensagem positiva. Como o gatinho não resistiu aos ferimentos, compartilhar aquela história seria muito difícil. A pesquisadora deixa bem claro: “Pessoas compartilham coisas quando possuem fortes reações emocionais, especialmente as positivas!”.

Ser positivo até quando a história é negativa

O site Upworthy é especializado em divulgar histórias bonitas e inspiradoras. Daniel Mintz, analista do site, é um dos maiores especialistas nesse assunto, sabendo exatamente o que pode despertar sensações boas nos leitores. Ele contou ao The New York Times o que pode fazer uma história se tornar viral e utilizou o exemplo de Zack Sobiech para explicar tudo com mais clareza.

A história de Zack é triste e mesmo assim é a maior postagem já feita pelo Upworthy. Ele tinha 18 anos e era vítima de uma doença rara, que inevitavelmente o levaria à morte em poucos meses. Em vez de se resignar, ele decidiu compor uma música inspiradora e motivadora para todos os que a ouviram: “E nós vamos subir! Voar um pouco mais alto! Vamos para cima das nuvens, porque a vista é melhor!”. A música ganhou até um clipe estrelado por celebridades.

Mesmo com a morte inevitável e com a canção de despedida, a viralização aconteceu. Mintz disse: “Mesmo essa história sendo realmente triste, era uma história que dava algo para ser feito com aquela tristeza”, referindo-se às inspirações que o vídeo deixou. Zack não permaneceria muito tempo por aqui, mas ele certamente deixou um legado para quem o conheceu. Isso é positivo!

A necessidade do compartilhamento

“Seres humanos são seres sociais” é uma das frases mais ditas desde que as redes sociais foram criadas. Apesar de clichê, ela é bem verdadeira. Todo mundo gosta de compartilhar o que pensa, o que descobriu, ou o que quer descobrir, com os amigos. Um estudo conduzido por Jonah Berger (Universidade de Pensilvânia) mostra que isso também mexe diretamente com o ego das pessoas.

Em conjunto com Katherine Milkman, ele afirma que muitas pessoas fazem das redes sociais uma tarefa árdua, que envolve a construção e o refinamento de uma persona digital. Para Berger, “postar um link que evoque risadas e suspiros dos outros pode conferir status a quem compartilhou a história”.

Uma companhia chamada Chartbeat — especializada em medição de tráfego online — tem uma grande prova do que Berger disse. Segundo a empresa, um estudo realizado no Twitter mostra que as pessoas fazem mais postagens referentes a leituras do que realmente leram.  Tony Haile, CEO da Chartbeat, diz: “Descobrirmos que não há relação entre o quanto o artigo é compartilhado e quanto tempo e atenção foram realmente depositados”.

Todos querem descobrir novos conteúdos

Isso entra em conjunto com a necessidade que muitos têm de descobrir novos conteúdos. Compartilhar algo que um amigo já compartilhou não é tão legal quanto postar algo que ninguém viu ainda. Há muitos usuários que querem ser os reais descobridores de uma música, um vídeo ou um site. E quanto mais rápido isso acontecer, menores as chances de outros verem primeiro.

O que é necessário, afinal?

Depois de analisarmos todas as informações vistas neste artigo, podemos chegar a algumas conclusões bem interessantes. É claro que um conteúdo viral não atende a padrões definidos, mas há alguns elementos em comum em diversos deles. Confira agora alguns exemplos, mas lembre-se de que o público da internet não gosta de ser enganado. Algo só se torna viral se não for feito para ser viral...

  • Apelo emocional
  • Histórias positivas
  • Histórias inspiradoras
  • Exemplos de superação
  • Novos conteúdos
  • Conteúdos engraçados
  • Espontaneidade

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Como já dissemos, não existe uma fórmula mágica para a criação de um conteúdo viral. Você discorda de algo que dissemos aqui ou concorda que os virais precisam atender às expectativas que citamos no artigo?