PlayStation Classic usa um emulador gratuito para rodar os jogos

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Anunciado pela Sony no mês passado e com lançamento marcado para dezembro, o PlayStation Classic é a versão da companhia para algo que a Nintendo vem fazendo com sucesso nos últimos anos: criar produtos voltados especialmente para os fãs mais nostálgicos que desejam reviver as horas que passaram nos videogames dos anos 1980 e 1990.

Mas no caso do console da Sony, a recepção ao anúncio não foi nem de longe tão boa quanto a empresa parecia esperar. Muitas críticas foram feitas à lista de 20 jogos pré-instalados, que inclui alguns títulos pouco conhecidos e deixa de lado franquias famosas da época.

Nos últimos dias, outro ponto também foi alvo de críticas. Como notou o Kotaku ao testar o PlayStation Classic, o software que permite a execução desses jogos clássicos é o PCSX ReArmed, um emulador de código aberto que está disponível gratuitamente na internet. Ele é um ‘fork’ do PCSX Reloaded com algumas otimizações para rodar em sistemas com arquitetura ARM e utiliza a licença GPLv2, que garante a liberdade de modificar e redistribuir o programa.

Final FantasyFinal Fantasy VII é um dos jogos mais populares do PlayStation original e estará disponível no PlayStation Classic. Fonte: Sony

Usar emulação para preservar jogos clássicos não é exatamente novidade para a Sony. Basta acessar a categoria “Clássicos” na PlayStation Store, por exemplo, que você vai encontrar uma série de títulos da linha PSOne Classic que podem ser emulados no PlayStation 3. Alguns relançamentos recentes para PlayStation 4, como “Parappa the Rapper” e “Loco Roco 2” rodam via um emulador de PSP que é baixado junto com o jogo.

A diferença é que em vez de um software proprietário de emulação – como fez a Nintendo com a Classic Edition do NES e do SNES – a Sony optou agora por utilizar um emulador que já existe. Embora esse seja exatamente o ponto central da crítica que estão fazendo a Sony, a medida não é necessariamente ruim. Como apontou Frank Cifaldi, diretor da Video Game History Foundation, esse fato comprova que um emulador “amador” tem tanta validade quanto um “oficial” da empresa, com muitos sendo até mesmo bem melhores que versões criadas pelas donas dos consoles originais.

Para Cifaldi, não faria sentido investir no desenvolvimento de um emulador próprio quando uma alternativa gratuita e livre já existe. No entanto, nem todos da comunidade de preservação de videogames estão de acordo. A equipe do Libretro, grupo que mantém e documenta o PCSX ReARMed, respondeu aos tweets demonstrando um certo incômodo em ver o trabalho sendo usado por uma companhia que condenou a emulação por anos sem ao menos um agradecimento.

Como o próprio Cifaldi lembrou ao escrever sobre o caso, é no mínimo inusitado ver uma empresa que já recorreu à Justiça para impedir um emulador de PlayStation de existir – foi o caso do Bleem! – utilizando agora exatamente um software desenvolvido por fãs nos seus produtos.

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