Seguindo os passos de Miitomo e Super Mario Run, Fire Emblem Heroes é a mais nova empreitada da Nintendo no mundo mobile. Reunindo no mesmo mundo diversos personagens que marcaram a história da companhia, o game simplifica algumas mecânicas clássicas (e pega leve no nível de dificuldade) em sua adaptação para esse novo universo.

Os resultados são bastante positivos e conseguem manter o alto nível de qualidade pelo qual a Intelligent Systems se tornou conhecida. No entanto, algumas concessões podem desagradar aos fãs mais antigos da franquia, especialmente aqueles que começaram a apreciá-la justamente pelo tipo de desafio “hardcore” ao qual ela costumava ser associada.

História simplificada

Ao contrário do que acontece em capítulos recentes como Awakening e Fates, a história de Heroes não tem tramas políticas ou grandes reviravoltas. Você assume o papel de uma figura que é invocada a um mundo de fantasia com o objetivo de ajudar um reino a escapar da destruição iminente.

Para isso, você pode abrir portais para outros universos e invocar guerreiros com poderes variados — todos eles originados de algum episódio de Fire Emblem. No entanto, essas habilidades também são compartilhadas por seus adversários, o que significa que, em seu caminho, o jogador também terá que enfrentar figuras lendárias como Marth e Ike.

A Nintendo preferiu focar no sistema de batalhas de Heroes e não em seu roteiro

A trama não é exatamente complexa e pode ser acompanhada facilmente mesmo que você não preste muita atenção nela. Fica claro que a Nintendo preferiu focar no sistema de batalhas de Heroes e não em seu roteiro, algo que é compreensível até mesmo pelo fato de que o smartphone não é exatamente a plataforma mais adequada para acompanhar dezenas de textos ou histórias que exigem sua atenção constante.

Caso a sua intenção ao jogar seja simplesmente terminar a trama o quanto antes, é possível realizar esse processo em menos de 10 horas. Após finalizar a história, você pode voltar a ela em dificuldades mais altas, mas sua única recompensa nesse caso (além de mais pontos de experiência) é garantir recursos que podem ser usados para invocar outros personagens.

Dificuldade baixa

Caso sua intenção seja jogar Fire Emblem Heroes somente de forma casual, não é preciso se preocupar. A dificuldade padrão do título é bastante baixa e, com exceção de algumas batalhas mais avançadas, não é preciso gastar tempo evoluindo o nível de seus personagens para estar apto a progredir. Felizmente, o jogo guarda bastante desafios para quem decidir se aventurar pelas dificuldades mais altas.

Foco na mecânica

A transição para as telas de smartphones e tablets resultou em uma experiência de jogo bastante simplificada em relação à série principal. Agora, seu time é formado por somente quatro personagens (mesma regra que se aplica aos inimigos) e os mapas têm o tamanho limitado de forma a não exigir qualquer espécie de “scroll”, revelando todos os seus elementos de uma só vez.

A escolha por mapas com tamanho limitado resultou em uma experiência marcada pelos combates rápidos e constantes. O lado bom disso é o fato de que nenhuma missão dura mais do que poucos minutos, algo que torna o jogo perfeito para aquele intervalo entre aulas ou para os momentos em que você aguarda sua vez na fila do banco.

Em compensação, a simplicidade dos terrenos e a diminuição no número de possibilidades limita os tipos de estratégias que podem ser usadas e condena o jogador a passar várias vezes pelos mesmos mapas. No geral, o saldo é bastante positivo e mostra que a Nintendo soube onde era preciso fazer concessões para trazer o jogo ao universo mobile.

As mudanças mais radicais surgem na eliminação da mecânica de morte permanente (algo que já podia ser desligado nos jogos para 3DS), de união de poderes entre heróis e da ausência de um sistema de afinidades. Também não é preciso mais se preocupar com a durabilidade de armas e com o gerenciamento de equipamentos, o que condena seus personagens a sempre usarem as mesmas armas.

Não é preciso mais se preocupar com a durabilidade de armas e com o gerenciamento de equipamentos

O que permanece igual é a maneira como seus personagens se movimentam (muito bem adaptada a telas de toque) e o sistema de “pedra, papel e tesoura” dos combates. Na hora de batalhar, continua indispensável prestar atenção às fraquezas e forças de sua equipe para bolar planos de ataque e defesa, evitando cair nas armadilhas preparadas por seus oponentes.

Além do modo campanha, o jogo também apresenta uma torre de treinamentos, cenários com condições especiais (e prêmios que podem incluir novos personagens) e o modo Arena. O último se aproveita das características estritamente online do título para permitir que você enfrente equipes de outros jogadores, cujo controle é dado à inteligência artificial.

Invoque seus heróis

Apesar de o material promocional de Fire Emblem Heroes se focar bastante em sua mecânica de invocação de heróis, ela surge como algo secundário na hora de jogar. Sim, é legal poder jogar com Marth, Lucina, Chrom e outras figuras lendárias, mas você não precisa da presença deles para conseguir vencer os desafios que o game coloca em seu caminho.

O sistema de invocação possui diversas características aleatórias que, se ajudam a prolongar a vida útil do jogo, também podem irritar alguns jogadores. Todo herói possui um nível de qualidade próprio (que vai de três a cinco estrelas), sendo que todos eles se unem à sua equipe no nível 1.

Felizmente, o processo de treinamento de novos personagens é rápido, o que significa que é possível adicioná-los à sua equipe principal em pouco tempo. O que não é tão divertido é o fato de que o jogo costuma “sortear” muitas figuras repetidas, sendo a única compensação para isso a possibilidade de unir dois personagens iguais para aumentar o SP (unidade usada para comprar habilidades) e o nível de um deles.

Free to play funcional

Como todo jogo pertencente à categoria “free to play”, Fire Emblem Heroes usa algumas táticas para convencer você a abrir a carteira. Cada ação custa uma quantidade determinada de pontos de stamina, sendo que também há recursos consumíveis para entrar no modo Arena e para aumentar o nível de qualidade de seus heróis.

Felizmente, a Nintendo ajustou o game de tal forma que raramente você vai sentir necessidade de investir dinheiro real para passar por esses obstáculos. Além de o consumo de stamina ser muito baixo, toda vez que você decide apelar para os pagamentos a companhia sugere que você use algum item de seu inventário para recarregar seus recursos.

O único recurso que não é recarregável são os cristais usados para desbloquear personagens, mas eles podem ser adquiridos facilmente completando missões do modo história ou simplesmente logando diariamente no jogo. De forma semelhante, basta esperar algumas horas para que seu acesso ao modo arena seja restaurado de forma automática.

Em minha experiência com o título, não senti nenhuma necessidade real de investir dinheiro para poder continuar jogando. Nem mesmo os itens limitados oferecidos pelo jogo se mostraram um problema, já que a necessidade de usá-los é bastante pequena na maneira como o game é apresentado atualmente.

Moderno e antigo

Estranhamente, Fire Emblem Heroes consegue misturar elementos bastante modernos e antiquados em sua fórmula. Através do login em uma conta da Nintendo, você pode transportar seu progresso facilmente entre diversos dispositivos, sejam eles Android ou iOS — plataformas que compartilham os mesmos universos online.

O jogo ainda depende do uso dos famigerados 'Friend Codes'

A parte antiquada surge do fato de que o jogo ainda depende do uso dos famigerados “Friend Codes” para adicionar amigos. Baseado em códigos gerados a partir do momento em que você inicia sua jogatina, o sistema é pouco intuitivo e é caracterizado pela falta de agilidade e praticidade quando você simplesmente quer estabelecer a ligação com outros jogadores.

A empresa também peca um pouco na organização dos menus, cuja disposição confunde bastante enquanto você está começando a aventura. Demora um pouco para perceber que muitas funções importantes como o recebimento de presentes e a tela de notificações são acessadas pela opção “Home” e não selecionando alguma das outras opções que surgem na parte inferior da tela.

Outra aposta certeira da Nintendo

Fire Emblem Heroes surge como um jogo bastante divertido que, embora deixe de lado algumas características da série, as respeita o suficiente para não perder sua identidade. Com ótimas animações e um estilo de arte carismático, o jogo só gera preocupações quanto à sua longevidade.

A maioria dos jogadores vai conseguir terminar a campanha principal em questão de poucas horas, e não há muitos estímulos para continuar jogando além desse ponto caso você não tenha uma ligação com os personagens de outros games. Sim, dá para refazer desafios em dificuldades mais altas, mas as limitações impostas pelos cenários e equipes com tamanhos reduzidos podem deixar muitas pessoas enjoadas das batalhas.

Fire Emblem Heroes se mostra uma experiência bastante viciante

Estranhamente, a necessidade de estar conectado constantemente à internet não surge como um problema tão grande quanto em Mario Run, provavelmente devido ao fato de o jogo se aproveitar melhor dessa característica. Mesmo com os problemas apontados, Fire Emblem Heroes se mostra uma experiência bastante viciante e que consegue se sustentar somente com seu combate simples, porém sólido.

No entanto, é bom que a empresa japonesa continue trabalhando em novos conteúdos para alongar a experiência. Embora os fãs mais antigos possam continuar estimulados a jogar com o intuito de coletar mais personagens, a falta de uma história mais desenvolvida e de sistemas mais variados pode fazer com que a animação do público em geral com realação ao game vá embora tão rápido quanto surgiu.

Nota: 80

Pontos positivos

  • Sistemas bem adaptados ao ambiente mobile
  • Sabe dosar bem seus sistemas free to play
  • Não é preciso abrir a carteira para conseguir avançar

Contras

  • O sistema de invocação de personagens é totalmente aleatório
  • A dificuldade padrão é baixa demais
  • Falta profundidade à história principal