O mercado de smartwatches pode não ter explodido e se tornado a “grande coisa nova” como muitos analistas da indústria previram, mas isso não impediu a Samsung de se estabelecer como um dos maiores nomes do segmento.  A mais recente iniciativa da companhia é o Gear S3, aparelho já disponível no Brasil nos modelos Frontier e Classic.

Equipado com diversas funções inteligentes e sensores que diminuem a dependência de uma conexão com um smartphone, o produto chama a atenção por seu visual luxuoso. Tivemos a oportunidade de testar o modelo Classic, que se diferencia da versão mais esportiva por sua pulseira em couro e por exibir controles laterais mais pronunciados.

Com características especialmente atraentes para entusiastas de atividades esportivas, o Gear S3 sem dúvida é uma das melhores opções em sua categoria. No entanto, algumas limitações e certas decisões de design devem fazer com que ele permaneça um produto voltado a um nicho bastante específico de consumidores.

Design

Disponível no Brasil nas versões Frontier e Classic — à qual tivemos acesso —, o Gear S3 não traz diferenciais de hardware entre seus modelos. O que varia é o acabamento: o modelo Classic tem uma pulseira em couro legítimo, sendo que seus botões laterais são ligeiramente mais protuberantes em relação ao corpo principal.

Oferecendo dois tamanhos de pulseiras intercambiáveis, a Samsung criou um aparelho com dimensões consideravelmente mais espessas do que as vistas no Gear S2. Isso ajuda a dar ao aparelho uma aparência bastante masculina e faz com que ele não seja muito adequado a quem tem pulsos considerados finos.

O tamanho generoso do smartwatch não deve agradar a quem procura gadgets mais discretos

O design é elegante, e você encontra o dispositivo com acabamento nas cores prata e preto. No entanto, o tamanho generoso do smartwatch não deve agradar a quem procura gadgets mais discretos. 

O elemento que mais chama a atenção sem dúvida é a coroa central que rodeia a tela. Mais do que servir como um elemento estético, esse item também funciona para navegar pelos menus do aparelho, evitando que você tenha que passar os dedos pela tela e oferecendo uma maior precisão na hora de realizar algumas ações.

Tela e controles

A Samsung construiu a tela do Gear S3 usando a tecnologia OLED, o que garante um ótimo nível de brilho e uma boa visualização de elementos em praticamente qualquer situação. A resolução adotada é semelhante à de outros produtos do mercado e é suficiente para exibir elementos de maneira bastante clara.

A sensibilidade da tela é boa, proporcionando uma experiência fácil de navegação. Você pode ajustar esse quesito de forma a permitir o manuseio do relógio com luvas ou para fazer com que o display seja iluminado quando movimentos são dedicados — caso uma mudança feita não surta os resultados esperados, sempre é possível revertê-la através de um menu de configurações bem organizado.

Conforme explicado anteriormente, a coroa que rodeia a tela também serve como uma forma de controlar a navegação, fazendo um trabalho bem melhor do que arrastar os dedos sobre o aparelho. Você ainda vai ter que usar os dedos para interagir com alguns elementos, mas a solução encontrada pela Samsung é muito boa e diminui a quantidade de manchas de suor e impressões digitais deixadas sobre o display.

Para assegurar uma maior durabilidade do Gear S3, a fabricante adicionou ao aparelho a resistência à água e à poeira, além de investir em materiais resistentes a impactos. Isso garante a possibilidade de praticar esportes sem correr o risco de estragar seu gadget acidentalmente.

Desempenho

Evitando problemas do passado, a Samsung traz o Gear S3 com compatibilidade de fábrica com a maioria dos aparelhos Android e iOS disponíveis no mercado. Ainda é um pouco chato ter que depender do aplicativo Samsung Gear para usar o smartwatch, mas ao menos isso garante que você não vai levar para casa um acessório que não vai conseguir se conectar a seu smartphone.

O sistema operacional Tizen confere ao smartwatch uma quantidade generosa de aplicativos, mas ainda decepciona ter que depender de um celular para instalá-los. Além de exibir informações sobre o horário e as condições climáticas, o dispositivo sai de fábrica com a capacidade de informar quantidades de batimentos cardíacos e passos, de exibir notificações de maneira simplificada e até mesmo de oferecer algumas experiências de jogo.

O sistema operacional Tizen confere ao smartwatch uma quantidade generosa de aplicativos

O destaque sem dúvida fica por conta do aplicativo S Health, que usa os recursos do acessório para oferecer detalhes completos sobre suas atividades físicas. Ele serve não somente para medir calorias gastas, pois chega ao ponto de detectar a qualidade de seu sono — embora não seja muito confortável dormir com um aparelho tão grande preso ao pulso.

Embora no Brasil a Samsung não venda a versão 4G do smartwatch, ainda é possível conectá-lo diretamente a redes WiFi para diminuir sua dependência de smartphones. No entanto, você ainda vai depender de um gadget da categoria para reproduzir músicas, ler notícias completas e realizar outras atividades.

O Flipboard, por exemplo, exibe versões resumidas de notícias — a leitura completa só pode ser feita em um celular. Situações semelhantes afetam os apps do Twitter (que mostra somente os trending topics do momento) e do Spotify, que serve basicamente como uma espécie de “controle remoto de luxo”.

Mesmo quando o smartwatch atua sozinho, ele nem sempre consegue fazer isso de maneira competente. Exemplo disso ocorre durante o recebimento de chamadas telefônicas: a qualidade de áudio é muito baixa, deixando você com a impressão de estar usando um walkie-talkie de baixa qualidade.

Bateria

Um dos quesitos mais positivos do Gear S3 é a duração da bateria. Caso você configure o aparelho para desligar a tela quando ele não está em uso, uma única carga pode render até cinco dias — isso usando o S Health para praticar exercícios diariamente e deixando ligado o sistema de recebimento de notificações.

Esse tempo pode ser ainda maior caso você não use o smartwatch de maneira muito ativa. Felizmente, a recarga também não é um problema: basta deixar o gadget sobre sua base magnética conectada a uma fonte de energia durante um máximo de duas horas para obter 100% de bateria.

Vale a pena?

O Gear S3 é sem dúvida um dos smartwatches mais completos do mercado, mas parece estar longe de ser capaz de popularizar de vez a categoria. O sistema operacional Tizen já tem recursos robustos e uma boa quantidade de aparelhos, mas as ofertas realmente boas continuam se concentrando no mundo das atividades físicas.

A Samsung acertou ao investir em um acabamento luxuoso e na resistência à água e à poeira, bem como na compatibilidade com o Android e o iOS. Também chama positivamente a atenção a coroa central, que serve como um ótimo método de controle que entende as características desse tipo de produto.

Caso você tenha uma vida esportiva ativa e goste de produtos com um visual bastante masculino, o gadget deve agradar. No entanto, continua decepcionando a grande dependência de um smartphone para acessar a maioria das funções disponíveis — característica que se mantém mesmo o produto sendo mais “independente” do que gerações anteriores.

Mesmo tendo características muito atraentes, o Gear S3 não conseguiu me convencer de que ter um smartwatch é algo indispensável para os dias de hoje. No entanto, quem já tem simpatia por gadgets do tipo dificilmente vai encontrar uma opção do mundo Android tão competente — isso, claro, caso você esteja disposto a pagar os R$ 2,3 mil cobrados pela fabricante no Brasil.