A companhia espacial Blue Origin, do CEO da Amazon, Jeff Bezos, finalmente terminou a montagem dos foguetes de propulsão BE-4, cinco anos depois do início de seu desenvolvimento. Sete peças semelhantes serão utilizadas no motor principal do veículo espacial New Glenn, que terá capacidade para levar aproximadamente 50 toneladas de carga para a baixa órbita da Terra ou 14 toneladas para a mais elevada, que acompanha a rotação do planeta.

Concorrente da Space X, empresa do bilionário de tecnologia Elon Musk, a Blue Origin tem feito testes com voos recuperáveis. Ela espera poder reutilizar as naves várias vezes para baratear os custos dessas viagens e realizar voos turísticos ou para conserto e transporte de equipamentos de comunicação, por exemplo. O primeiro cliente já contratou os serviços da New Glenn: a operadora francesa Eutelsat deve enviar um satélite geoestacionário entre 2021 e 2022.

Outros usos para a propulsão BE-4

O anúncio da montagem final dos foguetes de propulsão BE-4 não são importantes somente para o futuro da Blue Origin e para a concorrência sadia com a Space X. O equipamento também será utilizado pela United Launch Alliance (ULA), companhia espacial formada pelas empresas Lockheed Martin e The Boeing Company.

Após o conflito entre Rússia e Ucrânia em 2014, o Congresso dos Estados Unidos baniu o uso de motores de projéteis baseados na tecnologia dos russos RD-180. Por isso, a ULA, que trabalha no veículo Vulcan — sucessor do Atlas V — deve utilizar também a potência de dois BE-4, com previsão de voo para 2019.

Comparação entre os foguetes da Blue Origin (destacadas com a pena escura) e os de outras companhias espaciais

Voltando à New Glenn e seus sete BE-4, sua missão muito em breve deve ir além de transportar carga para os limites da Terra: retornar para a Lua, com mais estrutura e equipamentos do que a primeira vez, para a construção e manutenção de uma base permanente.