Como funciona um Home Theater?

Conheça como surgiu esse conceito e por que ele se tornou um sonho de consumo de tanta gente.

Se você ainda não tem em sua casa um home theater, certamente, ao menos já ouvir falar sobre ele. Com o desenvolvimento tecnológico o custo que antigamente era proibitivo vem caindo e hoje, assim como TVs de plasma e LCD, ele já é uma realidade na vida de muita gente. Mas você sabe como funciona ou quais as qualidades que o habilitam a ser hoje um dos produtos mais desejados do mercado?

Para saber um pouco mais sobre ele é preciso voltar algumas décadas no tempo e entender como a relação entre a televisão e o cinema influenciaram o seu desenvolvimento. Grande parte das inovações tecnológicas, em termos de som e imagem, surgiram da acirrada concorrência do cinema com outros meios de comunicação.

O princípio de tudo

Lançada pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a TV foi a primeira experiência a levar para a casa do espectador sons e imagens que até então só podiam ser vistas na tela do cinema. Na década de 50, com a chegada das TVs coloridas e a consequente exibição de uma variada programação específica, além de filmes, fez com que o público no cinema começasse a despencar. Nascia ali a ideia do entretenimento no conforto do lar.

Cinema em casa é a inspiração maior do home theater.


No entanto, depois de duas décadas recebendo programas e filmes de forma passiva, um aparelho revolucionou a forma de escolher a programação: o videocassete. Com ele o espectador passou a ser um elemento ativo na definição do que ver, quando, onde e como desejasse.

Começa a personalização

Embora a comodidade e o conforto fossem fortes pontos a favor da nova metodologia, não havia como comparar a qualidade de exibição caseira com a qualidade que o espectador poderia encontrar nas salas de cinema. Era hora dos televisores se adaptarem e ganharem alguns acessórios. E um dos primeiros foi o amplificador de som, também chamado de receivers (receptores).

Seu desenvolvimento foi tímido na década de 80. Mesmo com a popularização dos videocassetes, ainda era muita parafernália para ser instalada, a um alto custo, e com uma qualidade de som e imagem questionáveis. Foi preciso que a tecnologia digital entrasse em cena para que o salto fosse maior.

A era digital

Os anos 90 marcaram o desenvolvimento da era digital. Nesse período, diversas novidades tecnológicas foram testadas. CD, DVD, Laserdisc, VCD e MiniDisc são apenas alguns exemplos. Mas a qualidade sonora do CD, a qualidade de imagem do DVD e a melhor relação custo benefício de ambos fez com que os dois produtos se tornassem “a bola da vez” dos eletroeletrônicos.

Com um som compatível com a mesma fonte emissora das salas melhor equipadas e uma imagem de qualidade destacada, era possível pensar em exibi-las em telas grandes, com um som de qualidade no conforto de uma residência. Estava plantado o conceito do home theater (ou home cinema).

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Como reproduzir uma sala de cinema em casa?

Em primeiro lugar você precisa ter uma TV adequada. O ideal são aparelhos acima de 29 polegadas, seja em telas de plasma ou LCD. Abaixo disso, por melhores que sejam as suas intenções, fica difícil simular o mesmo ambiente de uma sala de cinema quando é preciso forçar as vistas para ler algo ou enxergar uma cena em uma tela menor.

Home Theater: uma sala de cinema em sua casa.


A partir de 29 polegadas, não importa o tamanho. Mas é claro que, quanto maior o seu ambiente e quanto melhores forem as suas condições para adquirir uma tela maior, melhor será também a qualidade da sua diversão. A regra aqui também é usar do bom senso. Se o seu ambiente é pequeno, de nada vai adiantar um TV imensa, de 50 polegadas por exemplo. Quanto mais próximo da tela você ficar, mais irá perceber as linhas de resolução. Além de estragar sua diversão, tamanha intensidade de luminosidade pode prejudicar sua visão.

O maior diferencial: o som

A maior diferença entre assistir à TV com ou sem um home theater fica por conta do som. Esse sistema adotado é chamado de surround sound. Ele funciona da seguinte forma. Quando o som de um filme é gravado ou mixado essa edição é feita em vários canais. Se você tem uma cena em que há um diálogo dentro de um carro no trânsito, por exemplo, o som de cada um dos interlocutores é gravado em um canal. Os sons do trânsito e do ambiente são gravados em um canal diferente. Dessa forma é possível ressaltar ou encobrir a voz de um personagem ou um determinado som.

O som é o que faz a diferença.


Essa diferença de canais é perceptível no cinema graças ao conjunto de alto falantes, posicionados estrategicamente no ambiente, para que o espectador perceba cada som de maneira diferente. Num sistema ideal são dois ou três alto-falantes frontais e mais dois ou três alto-falantes posicionados atrás de você. A ideia é que o som venha de todos os lados e atinja a totalidade do ambiente.

Como o som é dividido e qual o posicionamento ideal dos alto falantes?

A função de dividir os sons é do receptor de áudio e vídeo. É este o aparelho que funciona como uma verdadeira central do home theater, distribuindo os sons entre os alto-falantes. O processo é simples. Os sinais emitidos pelo aparelho de DVD ou Blu-ray vão diretamente para o receptor que os interpreta e decodifica, ampliando o sinal e enviando para os alto-falantes.


Fluxograma básico de funcionamento de um Sistema de Home Theater.


A distribuição do som, em geral, tem o seguinte princípio: os alto-falantes frontais são responsáveis por emitir os sons mais importantes. Se a ação (ou o som) estiver acontecendo do lado direito, a onda sonora será emitida pelo alto-falante do lado direito. O mesmo vale para o lado esquerdo. No entanto, se você ouvisse os sons apenas desta forma se sentiria desconfortável (afinal você ouve com a mesma intensidade dos dois lados, correto?). Para isso um terceiro alto-falante, posicionado no centro, reproduz os mesmos sons dos lados direito e esquerdo.


Já os dois alto-falantes, posicionados atrás de você, são os responsáveis pela emissão dos sons de fundo (a sirene de um carro de polícia ou sons distantes de uma multidão, por exemplo). Graças a eles é possível perceber outro efeito bacana: o som em movimento. Imagine um carro passando. Se a ideia da cena for fazer esse efeito, o som provavelmente surgirá nos alto falantes frontais e gradativamente irá diminuindo, enquanto aumenta nas caixas de som traseiras, dando a impressão que acabou de passar por você.

Duas empresas se destacaram na produção desses padrões de áudio: DTS e Dolby. A DTS (Digital Theater System) teve como um dos principais investidores o diretor Steven Spielberg. O sistema começou a ser desenvolvido na década de 90 e foi utilizado pela primeira vez nos cinemas no filme Jurassic Park, em 1993. A versão mais comum desse formato é o DTS 5.1 (5 canais primários e um canal de graves). O DTS 5.1 pode suportar até 7 canais de áudio.

Posicionamento básico das caixas de som em um sistema 5.1.


O outro padrão da indústria audiovisual é o Dolby. O sistema é bastante similar ao DTS, mas foi pioneiro ao ser utilizado pela primeira vez no filme Batman Returns, em 1992. Seus formatos mais conhecidos são o Dolby Digital 5.1 (ou AC-3); o Dolby Digital EX (6.1), que cria um sexto canal traseiro central, composto pelo som dos dois canais traseiros; e o Dolby 7.1 (ou THX EX), que é capaz de reproduzir sons em até oito canais. Embora proporcione um realismo sonoro ainda maior, por enquanto existem pouquíssimos títulos, em DVD ou Blu-ray, disponíveis nesse formato.

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Outras especificações técnicas para levar em consideração

Embora a composição básica de um home theater seja quase sempre a mesma, respeitando-se a variação do número de alto falantes, outros fatores devem ser levados em consideração em termos de qualidade de som o que, consequentemente, irá impactar a faixa de preço do aparelho.

Uma das características a serem analisadas é a potência de áudio dos alto falantes. A potência nada mais é do que a intensidade de emissão de um sinal elétrico convertido em um sinal de áudio. Quanto mais intensidade, maior a potência, o impacto e a percepção por parte do ouvinte.

A potência de áudio é medida em watts. E é aí que você deve ficar atento. Embora o valor em watts seja a principal referência, essa potência não é contínua. Essas variações são expressas em outras três especificações: média, RMS e PMPO.


Entendendo a relação entre as potências

Como já dissemos, a potência sonora é variável. Pode haver ganho ou perda no momento da transferência de sinal ou na reprodução. A relação de valores entre esses dois momentos é chamada de potência média. Essa potência média pode ser expressa diretamente ou por meio da potência RMS (Root Mean Square). Já a potência PMPO (Peak Music Power Output) leva em consideração também os valores de pico do processo de emissão e recepção. O resultado disso são, obviamente, números absolutos maiores.

Potência é um item que faz a diferença.


O que levar em consideração então? Os dois valores. O RMS é o valor mais próximo à realidade de potência, mas os fabricantes continuam a utilizar também os dados PMPO pelo seu impacto. A relação numérica entre ambos é, em média, de 5/20. Por isso vale ficar de olho na hora de comparar um aparelho com outro. Um alto-falante com potência expressa em PMPO, ainda que inferior a um com potência expressa em RMS, poderá apresentar um número maior, confundindo o consumidor.

Faixas de preço e equipamento ideal

Definir um equipamento ideal é uma tarefa complicada. Tudo vai depender do que você espera de um home theater. Existem modelos a partir de 2 canais (2.1) até 7 (7.2) disponíveis no mercado. O mesmo acontece com a potência dos alto falantes, que varia de 30W RMS até 1310W RMS. A faixa de preço também acompanha essas variações. É possível encontrar modelos 5.1 com 30W RMS a partir de R$ 340,00. Já um modelo 7.2 com 1310W RMS pode custar até R$ 2.100,00.


Home Theater 7.2 da Sony, um dos modelos mais avançados disponíveis no mercado.


Portanto, a menos que você tenha condições financeiras e um grande espaço para optar pelos aparelhos com as configurações mais sofisticadas, procure uma opção mais equilibrada, que resulte numa melhor opção custo benefício.

Se você mora em um apartamento, por exemplo, de nada adianta ter um aparelho super potente se você nunca poderá utilizar o som em um volume consideravelmente alto. É como ter uma Ferrari para andar na cidade e nunca poder atingir a velocidade máxima para testar o desempenho do carro. Por outro lado, num ambiente menor, um home theater de potência intermediária é capaz de trazer resultados tão bons quanto um aparelho top de linha.

Da mesma forma, fique atento às características da sua TV e do seu aparelho de DVD ou Blu-ray. Embora os DVDs tenham atingido um nível excelente de qualidade, desfrutar de sons e produções concebidas em 7.1. ainda não é regra nem entre os discos lançados em Blu-ray.

Uma outra dica interessante é procurar lojas especializadas em venda apenas de home theaters, já que nesse caso o ambiente é tão importante quanto as características do produto que você está levando. Algumas lojas não cobram o projeto de instalação do seu sistema de som e é mais uma garantia que você estará levando para casa um equipamento que irá, de fato, se tornar um cinema dentro de sua casa.

Agora é só se ajeitar no sofá e preparar a pipoca. Boa diversão!


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